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Archive for the ‘Ambiente’ Category

Incêndio em propriedade rural na Borússia.

Incêndio em propriedade rural na Borússia.

Incêndio na Borússia (Osório-RS) em setembro de 2013, destruiu uma área de mata de aproximadamente quatro hectares. Para a comunidade local, será um dia difícil de esquecer.

Por volta das 17h o fogo iniciou próxima da estrada, chamada de Estr. da Figueira Grande, na  altura do número 1.500. Coincidência ou não, o fato aconteceu pela segunda vez, no mesmo local e na mesma época do ano. Os moradores locais aflitos com as proporções que o fogo ia tomando, as cinzas voando e o estalar do mato queimando rapidamente, chamaram os bombeiros. A equipe prontamente saiu para atender o chamado. Em questão de minutos, o fogo poderia alcançar o taquaral ali próximo, a casa que fica ao lado e o galpão com os animais.

Já era 17h30min e nada dos bombeiros chegarem. O que teria acontecido? Melhor não esperar e agir. Com a ajuda dos vizinhos, os moradores do sítio fizeram o que tinham ao alcance, molharam o taquaral e as paredes da casa e do galpão, soltaram as galinhas e os cabritos. Com baldes iam apagando os pontos de fogo que iam se aproximando.

Um vizinho ligou novamente à central. Informaram que a equipe já estava a caminho, mas não sabiam onde estavam, pois tinham perdido contato. (Como se sabe, em diversos pontos na Borússia, o sinal de celular é muito difícil).

Por volta de 17h45min, o fogo desviou do taquaral molhado e começou a subir o morro em direção a uma grande plantação de eucaliptos e acácias. Se o fogo chegasse lá, neste período de seca, não haveria como conter um mar de eucaliptos em chamas. Finalmente a equipe do caminhão de bombeiros consegue entrar em contato por celular. Imaginem! Eles estavam perdidos, pois não conheciam bem a região e entraram na estrada errada. Nestas horas de emergência que se observa como faz falta uma simples placa de sinalização com nomes das estradas na Borússia. A equipe chegou ao local pedindo desculpas pelo atraso e indignados com a falta de sinalização.

Logo os três bombeiros desceram do caminhão com os equipamentos de abafar fogo e entraram no mato adentro. Anoitecia, e o fogo estava subindo para o alto do morro, na fronteira com os eucaliptos. Com os homens em ação, todos se acalmaram e ficaram à beira da estrada observando a linha de labaredas serem dominadas. Mas o fogo era impetuoso e continuava se elevando com toda a força. Observando a cena, o motorista bombeiro também se equipou e foi ajudar os companheiros.

Já era noite quando o vermelho das chamas cedeu lugar à escuridão. Às 19h, todo o fogo tinha se dissipado. O trabalho corajoso e hábil dos bombeiros de Osório trouxe tranquilidade para o casal que correu o risco de perder tudo. Mas os danos ambientais, ainda não se sabe, pois depende de técnicos e autoridades competentes vistoriarem o local. Se o incêndio foi criminoso ou acidental, também não se sabe.

Respostas:

Secretaria de Desenvolvimento e Turismo disse:

Prezada Simone Moro,
Gostaria de agradecer teu relato e dizer da nossa preocupação com o ocorrido, fato que lamentamos profundamente.   Gostaria também de informar que já tramita processo de identificação dos caminhos da Borússia, onde será contemplada a sinalização com mapas e placas indicativas das estradas, para facilitar o deslocamento no morro, assim como placas  de concientização e preservação do meio ambiente.
Também indagamos ao Corpo de Bombeiros quais as previsões para atendimento deste tipo de acidente, considerando que existem muitas outras áreas vulneráveis em Osório e arredores, motivo de preocupação constante.
 
Att.
Antonio Marculan – Secretário de Desenvolvimento e Turismo.

Seretaria do Meio Ambiente disse:

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Ouvir o ronco dos Bugios no fim de tarde, avistar um bando nas árvores se alimentando ou atravessando a rua pelos fios da rede de luz, faz parte do cotidiano de quem  mora na zona rural de Porto Alegre. Mas para aqueles que ainda não conhecem esses simpáticos e tranquilos animais, vale a pena saber um pouco mais sobre suas características e modo de vida. Assim, quando cruzar com um deles, entenderá melhor o seu comportamento.

 

Os bugios possuem hábitos diurnos, são sociais, e vivem em bandos de aproximadamente oito indivíduos, com um macho dominante, uma ou duas fêmeas, filhotes e jovens. Os machos adultos chegam a pesar 7 quilos e se destacam pela coloração avermelhada, por isso o nome bugio-ruivo (Alouatta clamitans).

 

Seu ronco é facilmente reconhecido e serve como uma forma de demarcação de território. O bugio se alimenta principalmente de folhas, além de flores e frutos, desempenhando o papel de “semeador de florestas”, pois dispersa as sementes dos frutos ingeridos. Esses animais estão presentes nas matas e em diversas propriedades da zona rural de Porto Alegre, mas não devem ser alimentados.

 

A melhor forma de ajudá-los é preservando a mata nativa, onde vivem e onde podem encontrar o alimento adequado. A capital gaúcha, com uma área de 47 mil hectares, possui ainda 1/3 de seu território ocupado por áreas naturais, ou com características rurais, como a Reserva Biológica do Lami e os morros São Pedro e da Extrema, nos bairros Pinheiro e Lami. Nessas regiões, ocorrem remanescentes florestais da Mata Atlântica, abrigando a maioria das populações de bugios e fazendo dessas áreas um importante patrimônio natural e cultural da cidade.

Saiba mais

PROGRAMA MACACOS URBANOS (PMU) – É um grupo multidisciplinar de pesquisa científica que desenvolve atividades para a conservação do bugio-ruivo e de seus habitats naturais na região metropolitana de Porto Alegre, desde o ano de 1993. Vinculado à organização não-governamental InGá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, está sendo executado pelo Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

http://www.ufrgs.br/macacosurbanos

e-mail: macacosurbanos@inga.org.br

Fone: (51) 3308.7702

por simone moro – simoneprisma@gmail.com

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curso2_saude_simone_moroCuidando da Saúde – Troca de saber sobre plantas medicinais e alimentos é o novo livro de Maria de Lourdes Souza, publicado pela Editora Paulinas.  A autora sentiu a necessidade de repassar o seu conhecimento adquirido em mais de 30 anos de trabalho, trocando e resgatando o saber popular sobre saúde natural de comunidades desde o Acre até o Rio Grande do Sul.

Maria de Lourdes, 66 anos, que também é assitente social e missionária veio até Porto Alegre, no mês de junho/09, realizar um curso para explanar sobre as  suas experiências  no auditório da Editora Paulinas.  O seu trabalho de orientação é direcionado para pessoas que queiram formar grupos de saúde comunitária ou para grupos que já existam. Por isso estavam presentes inúmeras multiplicadoras que realizam trabalhos comunitários em vários locais de Porto Alegre, região metropolitana e da região da serra, em São Francisco de Paula.

curso_plantas_simone_moroO silêncio do corpo A terapeuta naturista se dedica a orientar sobre os cuidados preventivos da saúde de forma holística, enfocando também os aspectos emocionais, sociais e afetivos. “Precisamos relaxar, acalmar a mente e dar ordens de saúde para cada parte do corpo, se concentrando em cada órgão. É preciso criar uma harmonia entre o corpo e a mente. Somente assim é possível se curar.”

Ser pensante – Durante o curso, Maria de Lourdes enfatizou que devemos ser um “ser pensante” e que nos trabalhos em grupo deve-se resgatar o saber e interagir com os participantes. Dessa forma o encontro com a autora foi dinâmico e harmonioso, com atividades físicas, dicas de saúde e alimentação, diversas indicações sobre as ervas medicinais e muitas trocas. O encontro foi finalizado com um grande abraço entre as participantes com um gostinho de “quero mais”.

Texto e fotografias de Simone Moro

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14/06/2009

Valdely encontra cerca-viva de ora-pro-nobis

Muitas plantas chamadas de “matos”, “daninhas” ou “inços” podem ser de grande importância ecológica e econômica como espécies comestíveis. Entretanto, a maioria das pessoas não utilizam essas plantas que crescem espontaneamente em seus quintais como alimento.  Deixando muitas vezes de sanar as carências nutricionais, pois aquele “mato” ou “fruta silvestre”  poderia saciar a fome e a desnutrição.  Inclusive poode até mesmo aumentar a fonte de renda do produtor rural, ao cultivar e comercializar  alimentos não–convencionais.

No mundo todo existem mais de 12.500 espécies identificadas como potencialmente alimentícias. No Brasil, começam a crescer os estudos sobre quais espécies podem ser consumidas e como prepará-las.

Pesquisas recentes
O principal motivo pelo qual a população não consume plantas nativas, além do desuso do conhecimento tradicional, é pela falta de informações para identificação, formas de uso e partes utilizadas das espécies comestíveis. Assim, com o intuito de colaborar com a pesquisa e a divulgação da importância alimentar dessas espécies, o botânico Valdely F. Kinupp realizou a sua tese de doutorado, concluída em novembro de 2007,  pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O estudo abrangeu 31 municípios da região metropolitana de Porto Alegre. Uma área de 3mil km² que possui uma boa diversidade de espécies, em torno de 1.500 identificas. Deste total, o pesquisador encontrou 312 espécies com potencial alimentício, que corresponde a 21% do todo, coletando e identificando as características biológicas, agronômicas e nutricionais de cada uma delas, entre arbustos, árvore, trepadeiras e herbáceas em geral. Para citar as mais conhecidas estão o palmito, a araucária, o butiá, a guabiroba e a goiaba serrana (feijoa).

Depois de análises em laboratório, constatou que as hortaliças e frutas silvestres têm proteínas, minerais e fibras em quantidades maiores que as domesticadas.

Algumas plantas não-convencionais

Sombra-de-Touro, cujo uso das amêndoas como alimento é uma novidade, pois apenas se conhecia o fruto. Possui alto teor de lipídios, 56% de óleo na amêndoa e 17% de proteínas, com textura e sabor agradáveis, podendo ser adicionada a sorvetes, tortas e outros doces.

Melothria cucumisPipininho silvestre (Melothria cucumis) é uma hortaliça silvestre, que erroneamente é considerado tóxico. Pode ser usado em conservas, saladas, como picles e tem grande aceitação na feira de hortigranjeiros em Caxias do Sul-RS.

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.O Jaracatiá ou mamão do mato

(Vasconcella quercifolia) é um parente silvestre do mamoeiro. A sua medula é riquíssima em minerais e em potássio.  No Rio Grande do Sul, é elaborado o doce chamado de doce-de-jaracatiá, doce-do-pau, feito com a medula ralada dos ramos e tronco,  com sabor similar ao côco, ou pode ser usado em pratos salgados, como se fosse chuchu. Os frutos verdes são fontes de papaína, uma enzima usada na indústria alimentícia e farmacológica.

Bertalha ( Basella sp), facilmente encontrada em lugares úmidos. É mais rica em ferro que o conhecido espinafre. É usada em saladas, refogados, em bolinhos, omeletes, na composição de pães e massas, em pastas e cremes.

Taioba

(Xanthosoma sagittifolium) além das folhas e talos comestíveis, produz grande quantidade de tubérculos, um tipo de batata, saborosos quando cozidos, fritos, em ensopados ou adicionados em pães. As folhas e talos são fontes de vitaminas A, B e C, além de ferro, cálcio e proteínas.

Há também uma série de flores que são comestíveis e podem ser servidas em nossas mesas com muito encanto. Como a capuchinha ( Tropeoalum majus), de sabor picante, é rica em vitamina C, pode ser consumida como salada, no sanduíche, em pastas e cremes e dá um toque especial nas panquecas e pães. Ela está sendo comercializada in natura na tradicional feira ecológica da av. José Bonifácio em Porto Alegre e tem boa aceitação do público.

Estas poucas espécies salientadas permitem vislumbrar a enorme disponibilidade alimentar a ser pesquisada e explorada. “No entanto o padrão alimentar está cada vez mais globalizado. Nos alimentamos com nada mais que 10 a 20 espécies por dia, considerando todas as refeições, restringindo assim a diversidade de nutrientes ingeridos”, ressalta Valdely F.K. Nesse aspecto, as plantas não-convencionais contribuem muito com nutrientes vitais para o bom funcionamento do organismo humano.
Comercialização
valdelyAlguns produtores rurais foram incentivados pelo pesquisador Valdely e estão cultivando e produzindo alimentos não-convencionais. No Sítio Capororoca, no Bairro Lami, zona rural de Porto Alegre, alguns dos seus produtos chamam a atenção e já valeram reportagens na TV, como o pão de urtiga, rico em minerais e ferro, e o refrigerante natural de picão-preto e de lírio do brejo, além das geléias de frutas nativas. Alguns dos produtos são comercializados na feira ecológica e outros degustados e vendidos apenas para os visitantes que vão até a propriedade conhecer todo o processo.
Na serra gaúcha, na região de Antônio Prado, produtores estão comercializando suco concentrado de frutas nativas, como a pitanga, a guabiroba e o butiá.Através desse resgate alimentar, se revela a grande diversidade de recursos alimentares que existe na nossa região e até mesmo no nosso jardim.
Neste texto foram citadas apenas algumas das espécies, mas a riqueza de plantas não-convencionais do Brasil é imensa. Cabe ressaltar ainda a necessidade de incentivos para a realização de mais pesquisas sobre esse assunto, para realizar um consumo seguro, além de cultivar e conservar essa diversidade de plantas, principalmente as nativas.Texto de Simone Moro baseado em textos e palestras do botânco Valdely F. kinupp.
Saiba mais em sua tese de doutorado no link:

* Plantas Alimentícias Não-Convencionais da Região Metropolitana de Porto Alegre

http://www.bibliotecadigital.ufrgs.br/da.php?nrb=000635324&loc=2008&l=8ef1c2fd11f70952

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05/01/2009

Macacos Urbanos em Itapuã

“É um privilégio podermos ainda ouvir o ronco do bugio. É um tesouro que  temos aqui na região de Itapuã e devemos preservar esse tesouro.” Gérson Buss

Gérson Buss faz parte do Programa Macacos Urbanos e já estudou o bugio por muito tempo no Parque Estadual de Itapuã, está agora  pesquisando essa espécie em Itapuã no município de Viamão, para o seu doutorado realizado na UFRGS.

O pesquisador está percorrendo as áreas de mata de itapuã para ver a ocorrência e fazer um mapa da sua localização. Está visitando as propriedades, fazendo entrevistas com os proprietários para saber como eles vêem o bugio, é a chamada percepção ambiental da comunidade. Durante o doutorado de quatro anos de duração, o biólogo vai verificar quais as principais ameaças que os animais sofrem, como atropelamentos, mortes na rede elétrica e por ataques de cachorros. “Assim vamos ter noção de como está a conservação deles no distrito de Itapuã,”observa Gérson.

Programa Macacos Urbanos

O Programa Macacos Urbanos que vai completar 15 anos de atuação surgiu em função da surpresa ao encontrar bugios na região de Porto Alegre, principalmente na zona sul. Então foi criado um grupo de pesquisa vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul para estudar e fazer um levantamento em quais áreas da capital havia bugio, para poder mantê-los no local e conservar a mata que os abriga, pois é uma espécie ameaçada de extinção no Estado.

O bugio é importante porque ajuda na manutenção da floresta, pois ao comer as frutas, ele ajuda a dispersar as espécies de plantas. O biólogo Gérson Buss explica que a  manutenção das florestas na encosta dos morros e nascentes é extremamente importante para a qualidade da água e para se ter um clima mais adequado. Além disso favorece o paisagismo: “quando a gente vem chegando na zona sul da capital ou aqui em Itapuã, vai admirando essa paisagem que faz bem para a alma, é muito bom ver tanto verde tanta natureza preservada.”

O projeto do qual fazem parte biólogos, veterinários e profissionais de várias áreas, iniciou com o levantamento desses animais e depois atuaram diretamente na conservação deles. Esse estudo está publicado no atlas ambiental de Porto Alegre. Um dos principais problemas identificados e documentados foram os acidentes na rede elétrica que acontecem com os bugios.  Então fizeram o pedido junto à CEEE para encapamento dos fios. Como não houve resposta,  foram obrigados a encaminhar uma denúncia ao Ministério Público Estadual. Surtiu resultado: em 2004, a CEEE encapou a rede em vários locais no Lami.  De sua parte o Programa Macacos Urbanos fizeram algumas pontes aéreas para evitar que o bugio desça e atravesse a rua. A mesma ação foi realizada em Itapuã este ano. Também encaminharam pedido à CEEE, como não houve resposta, encaminharam denúncia ao Ministério Público, por enquanto, aguardam a decisão.

Como você pode ajudar os bugios

Se você quer ajudar a conservar essa espécie ameaçada, a principal atitude é não derrubar áreas de mata, porque esses animais dependem dela para sobreviverem, pois é o habitat, é a casa deles.“Seria bom que as pessoas ocupassem áreas convivendo com a natureza, senão a gente vai acabar solitário nesse mundo e assim vai fazer mal ao próprio homem,”comentou Gérson.

Não precisa dar comida para eles, pois a mata dá o sustento necessário. Eles se alimentam basicamente de folhas e de frutos de figueira e gerivá. O biólogo explica que não é bom acostumar a dar comida, pois eles abandonam o seu posto de alimentação e se aproximam muito das casas e assim ocorrem os acidentes, são mortos por cachorros ou na rede elétrica.

O comportamento social do bugio

Os bugios andam em bando, em média há seis indivíduos por grupo: um macho adulto, algumas fêmeas e os filhotes. Eles ocupam uma área específica, assim como as pessoas que têm a sua família e o seu terreno ou propriedade. O bugio também é assim, no mato ele ocupa uma área que varia de 3 a 10 hectares, dependendo do tamanho do bando e vivem sempre naquele local. “Isso é importante saber, pois nós também precisamos respeitar o espaço deles,”enfatizou Gérson.

Assim como acontece com os seres humanos, os jovens bugios quando crescem, tendem a sair da sua área. Eles vão em busca de outro bando, ou ficam no bando e aceitam ser submissos. Isso acontece tanto com o macho, quanto com a fêmea, por isso é normal encontrar bugios solitários, eles estão dispersando, procurando uma outro bando para se fixarem, ou uma nova companheiro ou companheira para formar um novo bando.

Gérson pede às pessoas que lhe comuniquem de qualquer acidente que aconteça com os bugios. Contato pelo cel. (51) 9813-3268.

saiba mais no site: http://www.ufrgs.br/zoologia/macacosurbanos

matéria de Simone Moro

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Reportagem publicada no Diário de Viamão em 19/08/2008.

Caminhando pela Trilha do AraçáVista da Lagoa dos Patos

Vista da Lagoa dos Patos

Aqueles que apreciam as belezas naturais e gostam de caminhar na mata, sentir o cheiro do verde e ouvir o som dos animais, agora tem mais um lugar para ir. Está aberta ao público a trilha do Araçá, um antigo caminho usado pelos moradores que habitavam a região até os anos 70, antes do Parque ser criado. Existem também outras três trilhas onde é permitido o acesso ao público: a trilha da Fortaleza, da Visão e a da Onça.

Alba Braseiro e Arthur Nanni na trilhaAlba Brazeiro (48 anos), monitora local de educação ambiental e Arthur Nanni (33 anos) coordenador da educação ambiental do parque nos conduziram pela trilha do Araçá que possui 1.800 metros de ida e volta e pode ser percorrida no tempo aproximado de 1h30min. De acordo com o coordenador, a trilha vai operar com capacidade máxima de 10 pessoas por vez, sem limites de idade, mas que tenham disposição física para a caminhada. Arthur ainda mencionou que uma parte da trilha foi restaurada para trazer mais segurança ao turista, sem prejudicar o ambiente natural.

Partimos da Praia da Pedreira onde inicia a caminhada. Durante o percurso, são realizadas duas dinâmicas de sensibilização ambiental com os visitantes. “Essas atividades estimulam as pessoas a exercitarem o seu papel em relação ao meio ambiente”, explicou Arthur.

História preservada

Numa das paradas, os guias mostram o local onde havia um trilho de trem que vinha do topo do morro de onde eram extraídos enormes blocos de granito de 2 a 3 metros e transportados até a praia. Assim, os navios levavam as pedras para países da Europa e para a capital também. Alba explicou que as pedras que não eram quebradas de forma reta, sem valor comercial, iam para a formação dos molhes em Rio Grande. Outra parte ia para a construção civil em Porto Alegre, inclusive muitos blocos foram usados para a construção da catedral metropolitana da capital.

Necessidade da conscientização

Praia da Onça com lixo trazido pelas águasPraia do Araçá com lixo trazido pelas águas

Ao chegarmos na praia do Araçá, há uma decepção: a praia está tomada de lixo trazido pela maré. “Esse lixo foi deixado aí do jeito que está para mostrar às pessoas e causar impacto quando elas chegam aqui”, esclareceu a monitora. Arthur complementa que é preciso conscientizá-las para não largar o lixo no lugar errado, como nos arroios: “pois pode virar matéria prima de novo e virar um bem de consumo”. A função do parque também é educar ambientalmente os visitantes, por isso não é tirado o lixo em algumas partes para fazer essa sensibilização.

Perto da praia do Araçá, nos deparamos com uma antiga escola em ruínas que depois foi a casa da dona Nélia, já falecida. Seu Nauro Varani, pesquisador (73 anos) que desde jovem frequentava muito o local, contou que quando Nélia morava ali, encontrou no assoalho da casa, através de um detector de metais, ossadas de soldados da época da revolução farroupilha. A região também foi cenário de importantes acontecimentos históricos.

Por do sol na Praia da PedreiraPor do sol na Praia da Pedreira

Ouvindo várias estórias e observando tantas belezas naturais, como bromélias, orquídeas, caliandras, jerivás, pássaros, além de belas vistas da laguna dos Patos e do lago Guaíba, o nosso passeio termina com um clássico pôr do sol no trapiche da Praia da Pedreira. O passeio mostrou um lugar que continua belo, intacto em algumas áreas e em processo de regeneração em outras. Um lugar que também traz muitas lembranças de um passado cheio de histórias para contar.

Para saber mais:

O Parque de Itapuã está localizado no município de Viamão a 57 km da capital. O Parque Estadual de Itapuã foi criado em 1973 e fechado 18 anos depois, sendo reaberto apenas em abril de 2002. Com uma área de 5,5 mil hectares, protege importantes ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre, com campos, matas, dunas, lagoas, praias e morros às margens do lago Guaíba e da laguna dos Patos, por isso merece respeito e cuidados.

Visitação

Dias: de quartas-feiras a domingos

Horário: das 9h às 18h

Ingressos: Estão à venda na entrada do Parque. É necessário um ingresso para cada praia. Valor: R$ 4,12 por pessoa.

Informações e agendamentos para as trilhas: (51) 3494-8082 e 3288-8109

Reportagem e fotografias de Simone Moro

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